A excitação era tanta que frio é cansaço não fazia parte do vocabulário daquele dia. Acordei cedo, café quente e fui ao encontro do irmão do Júlio que trazia o rebanho do pasto. A neblina fria e húmida do alto da Serra encobre parcialmente uma linha de grandes torres eólicas, do alto um caminho entre antigas castanheiras, onde mais de 800 ovelhas surgem com seus sinos pendurados anunciando a hora da ordenha. Um momento mágico que me trouxe um novo e moderno significado para bucólico.

A tarde um giro na vila de Celorico, antes de pegar o trem de volta a Lisboa. Uma parada estratégica para o lanche. E por que não, no topo da torre mais alta do Castelo de Celorico?! Construído no século XII, serviu como importante ponto de defesa na transição da Alta para a Baixa Idade Média. Situado numa zona de fronteira entre o poder Cristão ao norte da Península Ibérica e Muçulmano ao Sul.

Última parada, Solar do Queijo. Num casarão antigo, uma bela homenagem a tradição é feita pelo pequeno museu do Queijo Serra da Estrela. Na sala, vestimentas de pano rústico e palha para espantar o frio e as antigas formas de queijos de madeira e de ferro reportam uma época aonde se produzia o queijo para ter alimento e proteína ao longo de todo ano.

O queijo Serra da Estrela usa a Flor de Cardo para coagular o leite. Na Quinta, o Júlio cuida da sua própria plantação e colheita.