Acordamos antes do sol e partimos para pegar o ônibus. Despeço-me da Monica e agradeço por toda ajuda e enorme companhia 3 dias. As 08h50, desço naquela congelante e chuvosa manhã, na rua de Tours, no ponto marcado a procura de um amigo que ainda não conhecia. Indicado pela Elisabeth, excelente queijeira francesa a frente da Queijo com Sotaque, Martin Jouve logo se mostrou um grande apaixonado pelo Brasil e um grande amigo.

França - Dia 23Martin é um jovem engenheiro francês que há 2 anos resolveu largar a profissão para se especializar em cursos técnicos de queijo em Paris. Atualmente é gerente de uma fromagerie em Paris. Partimos direto para 2 fazendas que ele havia marcado uma visita.

Primeira parada, famosa vila de St. Maure, na fazenda de propriedade de Richard Lecourt responsável pelo seu premiadíssimo queijo St. Maure de Touraine.

Fomos muito bem recebidos por um sorridente e agitado fazendeiro, que mesmo com todo aquele frio (conheci o termo “chuva congelante”), fez questão de nos mostrar cada etapa do seu trabalho.

Nos dirigimos a um grande galpão onde mais de 300 cabras comiam o seu café da manhã, e no caminho percebo uma estranha maquina agrícola que nunca havia viso no Brasil. Martin se desdobrava como interprete para traduzir a animada conversa. Pergunto oq as cabras comiam, pois havia, percebi que a comida das cabras era diferente e bonita. Richard riu e falou que só depois explicaria. Cabra é um animal muito curioso e normalmente se aproxima para nos cheirar e se deixar mordiscar. Mas ali senti algo especial no comportamento, elas estavam felizes, mansas e carinhosas. Comentei sobre isso ele mais uma vez soltou aquele sorriso do tipo “Sim eu sei”.

França - Dia 23Em outro grande galpão, três enormes maquinas que me espantaram e ali ele muito orgulhoso começou a explicar a refeição das cabras. Contou que 95% vem da própria fazenda em hortas e plantações próprias, que aquelas maquinas faziam a colheita com determinado grau de sofisticação e que aquela maquina estanha era responsável por embalar toda a mistura para proteger do tempo e de forma compensadas diminuir ao máximo o oxigênio para evitar grande fermentação da mistura. Explicou do cuidado da terra e que a outra maquina fazia esse cuidado com o solo. Na horta ele mostra orgulho uma enorme plantação de uma espécie de mostarda e uma florzinha que junto com o feno, era a melhor mistura feita por ele depois de muitas pesquisas e investimento. Afinal para um bom leite a boa alimentação do gado é primordial. Conhecemos o resto do plantel, com os filhotes, novinhas e os garanhões separados, cada um no seu quadrado.

Fomos até a queijaria e depois do tour por todo o seu processo interno, uma surpresa, um convite para eu fazer o meu St. Maure! La fomos nós, desinformar o queijo, passar no sal com carvão vegetal, colocar a vareta e levar para maturação. Muito legal!

O queijo do Richard é um AOP, com rigorosos processos de qualidade e ali fiquei sabendo que nesse caso essa vareta vem com todas as informações do produtor impressas nela.

Depois fomo convidados para conhecer a casa dele aonde sua esposa preparava um pão com vinhos e logico queijos em diferentes estágios de maturação p gente provar. Richard muito orgulhoso nos mostra o seu troféu Chèvre d’or (Cabra de Ouro), entregue ao melhor dos melhores produtores. Fantástico!

Saímos de lá 5 horas após nossa chegada, muito satisfeitos com toda e calorosa recepção. Particularmente fiquei impressionado com todo o investimento em maquinário e na preocupação no s mínimos detalhes e qualidade da ração. Nunca vi nada parecido no Brasil.

Refazemos nossos planos pois teríamos agora ainda menos tempo. Um pulo numa belíssima cidade próxima que cresceu ao redor das muralhas de um castelo medieval, um café e até a próxima visita.