Premiação, emoção e valorização

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Foram três dias de festa, nos quais o protagonista era o queijo artesanal brasileiro.

Realizado dentro do Semana MESA em São Paulo nos dias 25 a 27 de outubro de 2016, o li Prêmio Queijo do Brasil, deixará saudades e gostinho de quero mais.

Entre aulas e palestras, gratuitas e pagas, transbordavam informações. Das barraquinhas com produtores de várias partes do Brasil, brilhavam maravilhosos queijos para degustação e venda. E, entre abraços efusivos, rolavam os encontros entre amigos, produtores e profissionais da área. Sim, foram três dias maravilhosos, culminando em muito choro e emoção nas últimas horas do evento, a premiação dos queijos.

Amigos do queijo

Em sua 2 ª edição, o Prêmio Queijo Brasil vem mostrar que o mercado artesanal ganha força e reconhecimento. A iniciativa é de cinco amigos, comerciantes e amantes dos queijos: Bruno Cabral (Mestre Queijeiro – SP), responsável desde a lª edição em 2014; Falco Bonfadini (Galeria do Queijo -SP); Bruno Gar­cia (Legítimos Quitutes de Minas – SP); Daniel Strongin, entrevistado aqui na coluna ( edição nº 21), ex-presidente da American Cheese Society, e Daniel Martins (Queijo com Prosa – RJ), esse que vos escreve.

Foram avaliados 234 queijos (apenas artesanais) vindos de ES, MT, MG, PB, RJ, RN, RS, SC e SP. Ao todo, 182 queijos receberam medalhas de ouro, prata e bronze. Deste total, 140 foram queijos de leite cru e 94 pasteurizados, mas na lista das medalhas de ouro a proporção se inverteu, somente seis queijos de leite cru ganharam medalha de ouro, contra 11 pasteurizados. Você pode acessar os queijos premiados no link: goo.gl/DBWxHv.

Na 1 º edição, tivemos 136 queijos inscritos e em 2016 tivemos 234. É um aumento impressionante. Além de crescer o número de produtores cadastrados, também houve uma revolução nos comerciantes de queijos – muitos viram uma oportunidade de negócios e apostaram no queijo artesanal e isso deu uma grande visibilidade do queijo artesanal no Brasil todo. Claro que tudo começa nos campos, nas fazendas, onde se produz os queijos. Mas sem comerciante para vender e orientar e o consumidor disposto a experimentar essa novidade, não se tem uma rede completa e não há perspectiva. Mas hoje podemos dizer que temos toda uma rede completa e começarmos o crescimento sem volta, uma revolução que não se detém mais!

História e prêmios

Em 2015, tivemos a lendária história do queijo Canastra que embar­cou escondido na mala, rumo à França, e de lá voltou com uma medalha de prata no Mondial du Fromage. História contada na nossa 2 ª coluna (edição nº 18). Tal fato gerou grande repercussão no mercado queijeiro e tornou o queijo Serra da Canastra um dos protagonistas da revolução queijeira brasileira, sendo hoje o queijo artesanal mais conhecido e consumido no Brasil.

Agora, em novembro de 2016, um novo êxito. Produzido em Amparo/SP, o Queijo Tulha trouxe de San Sebastian/Espa­nha a prestigiada medalha de ouro do World Cheese Awards.

Com a palavra, Paulo Rezende, pro­dutor do Tulha: “Para nós, com menos de dois anos com nossos queijos maturados no mercado, duas premiações nos dois primeiros concursos que participamos foi uma surpresa! Estes prêmios são o re­conhecimento de um trabalho que vem se aperfeiçoando há muitos anos. Mostra o reconhecimento internacional do bom produto brasileiro e dá força e valor para o queijo artesanal brasileiro. É interessante ressaltar que hoje o Brasil tem dois queijos premiados no exterior que são de origens completamente distintas. Um da Canastra, região de forte tradição na cultura queijeira, medalha de prata na França. Um da Serra da Mantiqueira paulista, representante da inovação brasileira na arte de produ­zir queijos, medalha de ouro na Espanha. Isso é um sinal das surpresas que o queijo brasileiro artesanal ainda vai proporcionar aos apreciadores por todo o mundo. “Qual o caminho a partir de agora? “Trabalhar duro para melhorarmos a qualidade e exi­gir legislação adequada para o produto ar­tesanal nacional.”

Uma prosa com Bruno Cabral

Formado em Gastronomia na Espanha, trabalhou por três anos em Barcelona na loja Vila Viniteca, onde teve contato com o mundo dos queijos e se especializou, em um curso de seis meses, em produção de queijos.

Bruno, você é o único jurado do Brasil a participar do Wolrd Cheese Awards. Conte um pouco da sua experiência lá.
Este foi meu 3° ano e foi a 1 ª vez que levamos queijos brasileiros. Voltamos com três medalhas de oito queijos enviados. Por ser o primeiro ano, é uma média boa e os resultados, no mínimo, inusitados. O Queijo Tulha da Fazenda Atalaia recebeu a medalha de ouro, assim como o “parmesão” Faixa Azul de 12 meses também recebeu ouro e o “parmesão” Faixa Azul 18 meses recebeu bronze. Digo que foi inusitado, pois os queijos de leite pasteurizados que mandei receberam medalha e nenhum dos de leite cru recebeu.

O Prêmio Queijo Brasil foi mais ou menos o mesmo resultado, nas medalhas de ouro a maioria era de leite pasteurizado, embora a maioria dos queijos inscritos fosse de leite cru. Acho muito interessante esse dado, pois confirma o fato de que trabalhar com um leite pasteurizado é mais simples que trabalhar com leite cru, que requer muito mais cuidado em todos os estágios de produção. Muito se diz que “ah, faz de leite cru, não dá nada!”. ERRADO! Leite cru precisa de muito mais cuidado e técnica, não é assim tão fácil. Inclusive acho que se tem dificuldade, pasteuriza e pronto, você terá um produto muito mais estável Agora, se você é guerreiro e quer provocar maiores sensações, aprender e não se importa de errar …

Outro fator importante que acho que deve se levar em conta é que a indústria tem muitos recursos de pesquisa e melhoria da quali­dade do seu produto e estamos observando uma indústria buscando isso. É visível no World Cheese Awards, onde queijos mais industria­lizados recebem bastantes medalhas e acho que em breve essa tendên­cia chegará no Brasil Quando falo em qualidade de indústria, sempre é diferente da artesanal. O artesão sempre vai ter um recurso que a indústria nunca vai ter: o território, ou terroir, como dizem os franceses.

Qual a importância que você acredita que as premiações tra­zem para os produtores?
Cara, você trabalha o ano todo e a seu máximo para fazer o melhor e no final é recompensado com uma medalha de ouro num concurso internacio11al, onde pessoas que não te conhecem ou não conhecem seus queijos provaram e aprovaram. Isso é um reconhecimento incrível e muda a vida de um produtor que não tem tempo de sair da fazenda, além de aumentar muito as vendas.

Em 2016, o norueguês que ganhou foi incrível, estávamos na mesa de supremos jurados, ou a mesa de avaliação final, onde decidiríamos quem seria o melhor queijo do ano, e já estava claro que um queijo tipo Serra da Estrela, só que espanhol, seria o vencedor. Ele estava com 67 pontos e no último queijo veio queijo norueguês, Kraftkar. Foi ao êxtase e levou com 72 pontos o melhor queijo do ano. Parceiro, de repente escutamos um cara gritando sozinho, ele levantou e começou a chorar que nem um bebê. Os prêmios mudam a vida deles, mas é como na loteria, pois todos trabalham duro para chegar lá e o nível da competição é incrível!


HARMONIZANDO QUEIJO & CERVEJA

Sobre a madeira, o delicioso Cacauzinho. Receita produzida colaborativamente entre o chef Alex Atala e o Capril do Bosque. Leite de cabra maturado com mofos brancos obre cacau e cumaru. Seu sabor é potente, com sutil toque adocicado de baunilha e leve torra do cacau. Medalha de Ouro no li Prêmio Queijo Brasil.

Na taça, a Brownie Ale da cervejaria carioca Three Monkeys, produzida e forma colaborativa com os amigos do carioquíssimo Brownie do Luiz.

Com sabor maltado de início, notas de chocolate e final levemente amargo proveniente dos lúpulos e dos nibs de cacau Uma dupla que se completa deliciosamente na boca, um enaltecendo o sabor do outro, como as suas formas de produção: colaborativas.


Data de publicação: Fevereiro/2017

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